Mário Bula
Bula Atumba, Bengo, Angola
Aos meus pais, Teresa e Almeida, agradeço a existência, a Deus a oportunidade de ter nascido em Bula Atumba.
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O Bula era assim!

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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Guia Turístico, como visitar o Bula

Para quem já se esqueceu ou para quem pretende visitar Bula Atumba pela primeira vez, tentarei dar informações detalhadas, estando disponível para mais esclarecimentos.


Neste mapa de 1967 desenhado á mão, é possível identificar os rios, façam clic sobre a foto para o zoom.

A deslocação de carro é a mais aconselhada, mas quem pretender e tiver kumbu pode alugar um Helicóptero. O aeródromo está inoperacional para outras aeronaves.
Já tenho feito o percurso sozinho, com a Tila, mas em África mandam as regras de segurança que os viajantes devem utilizar pelo menos 3 viaturas, levar combustível suplementar, 2 pneus de socorro, cabo de reboque, caixa de ferramenta, alimentos para alguns dias e não esquecer água potável. A viagem pode correr muito bem mas se houver uma avaria temos de estar prevenidos.

Quem estiver em Luanda deverá optar pela estrada do Cacuaco que é o itinerário mais curto, mas também pode ir por Catete, darei a conhecer os dois percursos.

Detalhes do percurso

Luanda, Cacuaco, Caxito, Úcua, Piri, Quibaxe, Paredes e Bula Atumba

O percurso pelo Cacuaco tem cerca de 250 kms, passa pela linda região pantanosa do Panguila, Porto Quipiri onde existe um mercado de produtos regionais e onde podem comprar fruta para a viagem, Fazenda Tentativa onde ainda é possível ver o que resta das instalações da antiga CAA Companhia Açucareira de Angola, Caxito e Sassa. No Caxito apreciem as lindas árvores seculares de um porte majestoso e não deixem de as fotografar, são lindas, apreciem também as bonitas Igrejas da Cidade e os canais de rega de um palmar que já não existe.

ponte sobre o Rio Dande, no Sassa

Lembram-se do controle do Sassa onde se fazia o reagrupamento das viaturas para a coluna militar que nos acompanhava só até ao Piri? Depois do Piri já não havia necessidade de segurança!!?
No Sassa aconselho a fazerem um pequeno desvio para uma breve visita á Barragem das Mabubas que fica a poucos Kms do entroncamento para o Bula.
Após a visita á Barragem, a próxima paragem é no Úcua onde fazíamos novo reagrupamento das viaturas da coluna militar, aguardando pelas mais lentas. A pausa aqui era necessária para almoçar nos restaurantes, hoje desactivados e em ruínas, mas como é aconselhável levar sempre um bom farnel podem manter a tradição e almoçar por aqui. À entrada do Úcua, já não é visível a grande plantação de Sisal.

Vista do Úcua

O percurso até ao Piri, quase todo em montanha, onde muitas viaturas avariam exige outros cuidados, façam pausas para apreciarem a paisagem com vegetação luxuriante, a Pedra Verde, o morro do Kesso e experimentem a sensação única de ouvirem o silêncio da floresta onde se ouvem apenas os pássaros e as cigarras. As plantações de café tinham início no Úcua e eram uma presença constante até ao Bula.
Após a descida do Kesso, chegamos ao Piri, pequena Vila que se confundia com as Fazendas de café que a circundavam. Á esquerda o Bar do Piri, hoje transformado em Recauchutagem de Pneus e onde o meu pai, entre outros jogava grandes partidas de Damas, enquanto saboreavam umas Cucas.


O Bar do Piri

O Piri sem os grandes terreiros de café a secar, não tem muito para ver, sempre pensei assim.
Vamos agora em direcção ao desvio das Bombas da Mobil, onde á esquerda se pode ir para o Quitexe e Uíge e á direita para Quibaxe e Bula Atumba.

Cruzamento das Bombas da Mobil

Chegados á entrada de Quibaxe, onde alguém de muito mau gosto colocou o cemitério, devemos virar á direita em direcção á Missão Católica dos Dembos.
Quibaxe era Sede do Concelho dos Dembos e em vários domínios havia uma rivalidade intensa com o Bula, nomeadamente no Futebol e nas Festas. Bula Atumba após demoradas negociações, adquiriu a "independência", passou a Concelho e deixamos de estar debaixo da tutela de Quibaxe que não passa de Vila de "risca ao meio" quase só tem uma rua.
Vale a visita pelo Forte de Quibaxe, pela Administração e pela arquitectura de algumas casas tipicamente coloniais.

A Missão dos Dembos merece uma visita mais demorada para compreendermos melhor a sua actividade junto das populações.
O Rv. Padre Mota que este ano, no dia 8 de Junho, completa 50 anos de Sacerdócio e o Rv. Padre Zacarias agradecem a visita.

No percurso para o Bula ainda temos de passar pela Fazenda Buçaco, desvio para o Pango Aluquém, Paredes ou Kimbinga e pela Fazenda Monserrate. Nesta, a paragem é obrigatória, para apreciar a casa principal construída em 1954, onde morou durante muitos anos o Sr. Messias, a Igreja, a Escola, o Hospital, as residências dos trabalhadores e perceber como estava organizada.

Igreja da Fazenda Monserrate

Estamos quase a chegar e já é possível avistar ao longe o perfil da Vila de Bula Atumba, tornando a paisagem ainda mais bela. A cerca de 10 km logo a seguir á Sanzala do kimuenga, há um desvio para o Kamuanze onde os meus Pais decidiram dar o nome de Roça de Sto. António a uma pequena exploração de café. Era a menina dos olhos do meu Pai, onde ele gostava de passar o seu tempo, hoje completamente abandonada.

Chegamos finalmente a Bula Atumba, é difícil conter a emoção!!!

Onde Comer?

Não existem restaurantes, devem ir prevenidos com farnel já confeccionado ou optar por fazer um churrasco acompanhado com banana pão assada, mandioca cozida.

Onde dormir?

O Kimbo dos Sobas


A Residencial Kimbo dos Sobas, instalada na casa que era do meu Padrinho, Sr. Barbosa é a única opção disponível. O preço do quarto é de cerca de 4 a 5000,00 Akz.
Podem optar por levar tendas de campismo ou saírem de madrugada de Luanda e regressar ao final do dia, após a visita.

Irei acrescentar neste espaço, os locais interessantes para visitar em Bula Atumba.

Percurso alternativo, pela estrada de Catete

Luanda, Viana, Catete, Maria Teresa, Zenza do Itombe, Cerca, Sende, Kilombo dos Dembos, Rio Lombije e Bula Atumba.

Andamos mais kms., a paisagem é também muito bonita.
Não o irei descrever para já, em detalhe, porque não o conheço tão bem, tentarei fazê-lo em breve.
Este trajecto permite com pequenos desvios visitar, o Dondo, a barragem de Cambambe, N'Dalatando e o Golungo Alto.

Falarei em espaço próprio do Sende e do Rio Lombije

4 comentários:

Carlos disse...

Oxalá um dia, numa das suas viagens a Bula Atumba, opte por este outro percurso. Caso isso aconteça - e se não me levar a mal - pedia-lhe uma foto da povoação de «Kilombo dos Dembos» e que a colocasse neste seu simpático espaço. Nem sabe o quanto eu lhe ficaria grato...

Um abraço
(loanda_50@yahoo.com.br)

ZAMBI disse...

Adorei , Adorei, Li tudo até ao fim , vi , li , reli.... As fotos estavam de mais , conheci algumas pessoas.
Estou de lagrimas nos olhos, nasci nesta terra mais linda do mundo BULA ATUMBA ( Roça Rio Ouro) em
11/may/ 1959, onde os meus Pais foram lá empregados. Hoje já não consigo dizer mais nada.
Voltarei brevemente.
Um grande Abraço e beijinhos do fundo coração para todos os nascidos em Bula Atumba...

Anónimo disse...

Então, de caminho - Mário e Tila, façam-me o favor depois do Quilombo e pela zona da Fazenda Rio Uemo (que era do Sousa) vejam se encontram a sanzala que dá pelo nome de Kikiambolo e vejam se conseguem saber de André Iango Caculo ou de descendentes. O André trabalhou em nossa casa desde novo; o pai dele - que foi cozinheiro do meu pai e homem de muita confiança, tinha começado a trabalhar na Roça Santos cerca de 1948 ou 1949. Um abraço, Mizé (filha do Santos do Calohombo)

JOAQUIM GONÇALVES disse...
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